{"id":2904,"date":"2021-02-23T13:49:10","date_gmt":"2021-02-23T16:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/?p=2904"},"modified":"2021-02-23T14:58:15","modified_gmt":"2021-02-23T17:58:15","slug":"post_21-02_arqhostil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/post_21-02_arqhostil\/","title":{"rendered":"23.02.2021"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; make_equal=&#8221;on&#8221; specialty=&#8221;on&#8221; admin_label=&#8221;POSTAGEM PADR\u00c3O IAB&#8221; _builder_version=&#8221;4.8.1&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; border_width_top=&#8221;2px&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_3&#8243; _builder_version=&#8221;3.25&#8243; custom_padding=&#8221;|||&#8221; custom_padding__hover=&#8221;|||&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/IAB-100-COM-LOGO.png&#8221; title_text=&#8221;IAB 100 COM LOGO&#8221; _builder_version=&#8221;4.8.1&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;2_3&#8243; specialty_columns=&#8221;2&#8243; _builder_version=&#8221;3.25&#8243; custom_padding=&#8221;|||&#8221; custom_padding__hover=&#8221;|||&#8221;][et_pb_row_inner _builder_version=&#8221;4.8.1&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; background_color_gradient_direction=&#8221;90deg&#8221;][et_pb_column_inner saved_specialty_column_type=&#8221;2_3&#8243; _builder_version=&#8221;4.8.1&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text admin_label=&#8221;TITULO POST&#8221; _builder_version=&#8221;4.8.1&#8243; text_font_size=&#8221;20px&#8221; header_3_font=&#8221;Arial||||||||&#8221; header_3_font_size=&#8221;20px&#8221; header_3_line_height=&#8221;1.5em&#8221; header_4_font=&#8221;Actor||||||||&#8221; header_4_line_height=&#8221;1.5em&#8221;]<\/p>\n<div class=\"\" data-block=\"true\" data-editor=\"pt4s\" data-offset-key=\"16u01-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"16u01-0-0\">\n<h3>NOTA DO IAB-RJ SOBRE ARQUITETURA HOSTIL\u00a0<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text admin_label=&#8221;TEXTO POST&#8221; _builder_version=&#8221;4.8.1&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; text_font=&#8221;Arial||||||||&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<p>&#8220;Arquitetura Hostil&#8221; pode ser um termo com muitos significados, inclusive o de hostilizar quem deseja se abrigar ou ocupar temporariamente um determinado espa\u00e7o constru\u00eddo.<\/p>\n<p>A Arquitetura Hostil \u00e9 comumente expressa nas formas mais simples de exclus\u00e3o\/afastamento, como muros, grades e cercas em propriedades privadas. Ao estar implantada no espa\u00e7o p\u00fablico, que deveria ser um espa\u00e7o aberto a todos que ali desejassem se abrigar ou ocupar temporariamente, este tipo de \u201cinten\u00e7\u00e3o\u201d arquitet\u00f4nica acaba gerando no espa\u00e7o p\u00fablico novos, e ainda mais hostis, contornos.<\/p>\n<p>Como espa\u00e7o p\u00fablico, qualquer ambiente constru\u00eddo nesta esfera deveria ser uma manifesta\u00e7\u00e3o humana de apropria\u00e7\u00e3o plural e democr\u00e1tica do espa\u00e7o. Ao contr\u00e1rio, a Arquitetura Hostil objetiva tornar qualquer elemento p\u00fablico, em qualquer escala \u2013 desde parques, pra\u00e7as, abrigos de \u00f4nibus, marquises, bancos, muretas ou mesmo canteiros \u2013 em espa\u00e7os excludentes. Nessa l\u00f3gica, somente o objetivo principal do aparato deve ser atingido, excluindo\/afastando qualquer pessoa que tente utilizar aquele espa\u00e7o de formas alternativas ou com objetivos secund\u00e1rios, como, por exemplo, sentar-se em uma mureta, ou tomar caminhos n\u00e3o planejados na cidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de fragilizar o car\u00e1ter democr\u00e1tico do espa\u00e7o p\u00fablico \u2013\u00a0 que tem suas regras de conviv\u00eancia culturalmente aceitas \u2013\u00a0 a Arquitetura Hostil tem um vi\u00e9s autorit\u00e1rio: passa a prescrever de forma monocr\u00e1tica que usos e fun\u00e7\u00f5es aquele espa\u00e7o pode ter, impossibilitando usos alternativos atrav\u00e9s da viol\u00eancia contra quem confere aos equipamentos p\u00fablicos funcionalidades alternativas \u00e0s projetadas. Usando o projeto e, assim, a arquitetura, como instrumentos dessa viol\u00eancia, a Arquitetura Hostil privilegia um sistema social e econ\u00f4mico que exclui determinados grupos, perpetuando a exclus\u00e3o social como forma institucionalizada de resolver o problema social das cidades, principalmente das grandes cidades. \u00a0 A Arquitetura Hostil ressignifica, assim, o espa\u00e7o p\u00fablico urbano, subvertendo seu conceito original, ainda que isso signifique o cerceamento \u00e0s necessidades mais b\u00e1sicas humanas, como o dormir de forma minimamente segura, ao abrigo de intemp\u00e9ries.<\/p>\n<p>As classes sociais exclu\u00eddas dos sistemas formais, principalmente na qualifica\u00e7\u00e3o de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, s\u00e3o, de longe, as mais atingidas pelo cerceamento destas fun\u00e7\u00f5es &#8220;secund\u00e1rias&#8221; do espa\u00e7o p\u00fablico. Afirma-se, assim, uma l\u00f3gica de dupla-exclus\u00e3o, em que n\u00e3o basta o cidad\u00e3o ser exclu\u00eddo de seus direitos b\u00e1sicos assegurados pela Constitui\u00e7\u00e3o (como habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, entre outros), como lhe \u00e9 retirado tamb\u00e9m o direito \u00e0 perman\u00eancia em lugares de uso p\u00fablico. Nesse sistema, a exclus\u00e3o \u00e9 ainda mais perversa, pois inviabiliza at\u00e9 mesmo a mais prec\u00e1ria alternativa para quem j\u00e1 est\u00e1, muitas vezes, no limite da sobreviv\u00eancia. A solu\u00e7\u00e3o para o problema social passa a ser, na l\u00f3gica da dupla-exclus\u00e3o, impedir que os espa\u00e7os p\u00fablicos sejam ocupados por pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade socioespacial. \u00c9 prefer\u00edvel, no sistema da Arquitetura Hostil, que os lugares permane\u00e7am inutiliz\u00e1veis, vazios, sujos, \u00famidos, polu\u00eddos, escuros e sobretudo desocupados por cidad\u00e3os &#8220;indesej\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo havendo pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas reconhecidas para promover a reintegra\u00e7\u00e3o social da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, por exemplo, a cidadania e direitos desses grupos deve ser respeitada e garantida pela sociedade como um todo.. Por\u00e9m, o modo excludente e voraz com que o atual sistema econ\u00f4mico opera tende a trazer respostas hostis para quest\u00f5es que deveriam ser encaradas como problemas sociais da coletividade, e n\u00e3o de cidad\u00e3os espec\u00edficos. Estes cidad\u00e3os s\u00e3o frequentemente invisibilizados e, muitas vezes, este tema s\u00f3 volta \u00e0 tona quando a paisagem se torna tamb\u00e9m hostil: elementos pontiagudos em muretas, pedras em canteiros, cercas com lan\u00e7as em chafarizes, bancos individualizados, espa\u00e7os inclinados, com fechamentos verticais ou gradeados sob pontes e viadutos, entre outros.<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro sofre com 10% de d\u00e9ficit habitacional, S\u00e3o Paulo com 25% e o Brasil com 9%. No Brasil, o percentual da popula\u00e7\u00e3o que vive em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de habita\u00e7\u00e3o \u00e9 de 30%, de acordo com a ONU. Al\u00e9m desse fator, quest\u00f5es como o valor das passagens do transporte p\u00fablico, a situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza e vulnerabilidade social enfrentada por diversas fam\u00edlias brasileiras (problema que foi exacerbado no contexto da pandemia), e a necessidade de se estar pr\u00f3ximo aos centros urbanos acabam contribuindo para levar parte dos habitantes da cidade \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de rua. Sua presen\u00e7a nas ruas, finalmente, n\u00e3o como causa, mas como consequ\u00eancia, influencia diretamente na ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos e em sua ressignifica\u00e7\u00e3o a partir das necessidades mais b\u00e1sicas dessa popula\u00e7\u00e3o, apartada das fun\u00e7\u00f5es prec\u00edpuas desses espa\u00e7os.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o reunida aqui \u00e9 propositiva quando reivindica espa\u00e7os p\u00fablicos inclusivos, que contemplem portadores de restri\u00e7\u00f5es de acessibilidade de qualquer natureza a tais espa\u00e7os, principalmente social e econ\u00f4mica, que \u00e9 o foco desta nota. O IAB-RJ entende que agir de forma excludente apenas adia o problema, adotando uma postura negacionista em rela\u00e7\u00e3o a problemas s\u00f3cio-econ\u00f4micos hist\u00f3ricos do Brasil. Essa postura \u00e9 contemporaneamente recha\u00e7ada pelos quatro pilares da sustentabilidade: as esferas ecol\u00f3gica, econ\u00f4mica, social e cultural \u00c9 preciso projetar e construir de forma que as pol\u00edticas p\u00fablicas alcancem pessoas em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, para que todos os habitantes de nossas cidades sejam de fato alcan\u00e7ados por pol\u00edticas que, por defini\u00e7\u00e3o, deveriam atender a todos e todas.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m objetivo desta nota sugerir que espa\u00e7os p\u00fablicos possam ser adotados por empresas e parcerias, como tamb\u00e9m possam incluir a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua para manter estes pr\u00f3prios espa\u00e7os, com capacita\u00e7\u00e3o apropriada, de forma a subsidiar parte de seus custos com moradias sociais, atuando como &#8220;zeladores p\u00fablicos&#8221;. \u00c9, ainda, recomendar a institui\u00e7\u00e3o de programas s\u00f3cio-culturais que aproximem estes espa\u00e7os do uso p\u00fablico democr\u00e1tico, com fun\u00e7\u00f5es adequadas tais como atividades art\u00edsticas, esportivas, feiras tem\u00e1ticas e subs\u00eddios para com\u00e9rcios e servi\u00e7os de microempreendedores individuais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, esta nota visa sugerir a arquitetas e arquitetos, engenheiras e engenheiros, e tamb\u00e9m a seus clientes, que defendam, em constru\u00e7\u00f5es como ber\u00e7os de pontes, viadutos, passarelas e escadas urbanas, que a cidade seja din\u00e2mica e que seus usos possam ser m\u00faltiplos, indo al\u00e9m da transposi\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria. \u00c9 reconhecer que os investimentos p\u00fablicos devem ir na dire\u00e7\u00e3o de inclus\u00e3o destes espa\u00e7os, conformando-os em acordo com a paisagem em que se inserem, especialmente viabilizando transportes ativos, n\u00e3o-motorizados, com ilumina\u00e7\u00e3o, limpeza e manejo de \u00e1guas, convertendo-os exemplos de Arquitetura Inclusiva, ao inv\u00e9s de aplicar recursos p\u00fablicos in\u00f3cuos em ilus\u00f3rios exemplares de Arquitetura Hostil, constru\u00eddos para afastar o problema do testemunho p\u00fablico, e n\u00e3o para colaborar com sua solu\u00e7\u00e3o. \u00c9, sobretudo, entender que a cidade n\u00e3o pode ser projetada para atender apenas a uma parcela da popula\u00e7\u00e3o e expulsar outra. A cidade n\u00e3o se &#8220;resolve&#8221; perpetuando a l\u00f3gica da exclus\u00e3o com novas, mais perversas e mais hostis exclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste sentido, torna-se urgente uma vis\u00e3o amparada na alteridade urbana, como uma sa\u00edda para a impessoalidade e a supera\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo no espa\u00e7o da cidade, na dire\u00e7\u00e3o de uma responsabilidade pelo outro. Ao discutirmos a Arquitetura Hostil e seus reflexos na popula\u00e7\u00e3o em vulnerabilidade socioespacial, sobretudo a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, abrimos espa\u00e7o para um resgate da valoriza\u00e7\u00e3o do humano, na qual &#8220;eu&#8221; e &#8220;outro&#8221; se tornam um acontecimento \u00e9tico, que eleva e conduz na supera\u00e7\u00e3o do eu, ou seja, na concep\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o coletivo, plural e democr\u00e1tco. Pensar a cidade a partir do outro exige uma humanidade na qual o lugar do outro seja mais importante do que o lugar do eu. Isso nos conduz para viv\u00eancias transdisciplinares, tratando de forma dial\u00f3gica todos os envolvidos no processo urbano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column_inner][\/et_pb_row_inner][\/et_pb_column][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IAB-RJ publica nota sobre Arquitetura Hostil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-2904","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-importantes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2904"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2904\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2913,"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2904\/revisions\/2913"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/iabrj.habildesign.com.br\/site-antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}